{"id":773,"date":"2012-10-11T05:00:28","date_gmt":"2012-10-11T05:00:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.encontrauberlandia.com.br\/noticias\/?p=773"},"modified":"2013-08-19T12:40:13","modified_gmt":"2013-08-19T12:40:13","slug":"pesquisador-explica-a-tradicao-e-os-costumes-do-congado-de-uberlandia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.encontrauberlandia.com.br\/noticias\/pesquisador-explica-a-tradicao-e-os-costumes-do-congado-de-uberlandia\/","title":{"rendered":"Pesquisador explica a tradi\u00e7\u00e3o e os costumes do Congado de Uberl\u00e2ndia"},"content":{"rendered":"<p>Uma pluralidade de cores, cantos, instrumentos e elementos culturais utilizados com o intuito de preservar a hist\u00f3ria. A Festa do Congado de Uberl\u00e2ndia, no Tri\u00e2ngulo Mineiro, \u00e9 assim definida pelo pesquisador e comandante geral da Irmandade de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio e S\u00e3o Benedito, Jeremias Brasileiro.<\/p>\n<p>Em entrevista ao\u00a0<em>G1<\/em>, o historiador contou como se d\u00e1 toda a tradi\u00e7\u00e3o do Congado e os significados de cada manifesta\u00e7\u00e3o feita pelos grupos de congo durante a festa. \u201cO Congado vem do termo congo, que significa congar, dan\u00e7ar. \u00c9 uma mem\u00f3ria que vem com os escravizados do antigo Reino do Congo, na \u00c1frica Central, com a ess\u00eancia de festejar algum momento. Naquela \u00e9poca era comum eles celebrarem atrav\u00e9s da dan\u00e7a o nascimento de um pr\u00edncipe, uma boa colheita e visitas de pessoas de outras prov\u00edncias, por exemplo\u201d, contou Jeremias.<\/p>\n<p>No Brasil as manifesta\u00e7\u00f5es de Congado se d\u00e3o em diversas formas. Em Minas Gerais, principalmente, vai prevalecer o mito de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio, por ter sido destinada por Santa Ifig\u00eania \u2013 uma das respons\u00e1veis pela dissemina\u00e7\u00e3o do cristianismo na Eti\u00f3pia \u2013 a cuidar dos escravos, como roga a lenda.<\/p>\n<p>Os primeiros relatos de Congado na regi\u00e3o se deram em meados de 1850, no distrito de Miraporanga. Na cidade de\u00a0Uberl\u00e2ndia a manifesta\u00e7\u00e3o se deu a partir de 1874, quando v\u00e1rias fam\u00edlias do munic\u00edpio foram fortalecendo a festa e passando a tradi\u00e7\u00e3o por toda a linhagem, at\u00e9 chegar aos dias de hoje. Essas fam\u00edlias residiam em bairros oper\u00e1rios como o Patrim\u00f4nio e a atual regi\u00e3o do Bairro Martins. Os antigos grupos de congo se reuniam onde atualmente \u00e9 o Posto da Matinha , depois passaram a se reunir na Pra\u00e7a Tubal Vilela e na Clarimundo Carneiro at\u00e9 se instalarem na Pra\u00e7a Rui Barbosa, no Centro da cidade.<\/p>\n<div>Ternos de Congo<\/div>\n<p><strong><\/strong>No munic\u00edpio s\u00e3o 26 grupos conhecidos como Ternos de Congo. Cada um deles representa um momento da hist\u00f3ria de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio ou da cultura afro e, as pessoas que os comp\u00f5em, se identificam com um tipo de canto, percuss\u00f5es, vestu\u00e1rios e linhagens de fam\u00edlias. \u201cOs Mo\u00e7ambiques, por exemplo, s\u00e3o um dos mais tradicionais grupos de congo da nossa regi\u00e3o e eles representam o povo que ficou \u00e0 beira do mar chamando a Senhora do Ros\u00e1rio, entoando cantos, sem dar as costas. Por isso, quando os Ternos de Mo\u00e7ambiques chegam a algum lugar eles saem de costas, justamente para prevalecer esse conto\u201d, explicou Jeremias Brasileiro.<\/p>\n<p>Os Mo\u00e7ambiques s\u00e3o os congadeiros mais tradicionais e podem entoar apenas cantos de manifesta\u00e7\u00e3o e f\u00e9. S\u00e3o caracterizados por latinhas amarradas em cordas nos p\u00e9s. Os ternos de Catup\u00e9s surgiram da influ\u00eancia ind\u00edgena e utilizam de cantorias ir\u00f4nicas e com cr\u00edticas sociais.<\/p>\n<p>Os Marujos ou Marinheiros t\u00eam origem moura e fazem uso de caixas e chocalhos simbolizando, atrav\u00e9s da cantoria, a submiss\u00e3o final dos mouros ao poder dos crist\u00e3os. J\u00e1 os Penachos fazem cantorias de lamenta\u00e7\u00f5es e as coreografias s\u00e3o de passos marcados e credenciados, representando os \u00edndios africanos inseridos nas congadas.<\/p>\n<p>O terno de Vil\u00e3o representa, na oralidade, os jovens escravos que assaltavam fazendas e engenhos, por isso suas dan\u00e7as fazem refer\u00eancia a esses conflitos.<\/p>\n<p>Estas denomina\u00e7\u00f5es s\u00e3o apenas singularidades que os ternos representam, pois \u00e9 poss\u00edvel haver mais de um grupo da mesma estrutura, por\u00e9m com sua pr\u00f3pria identidade. No munic\u00edpio de Uberl\u00e2ndia, por exemplo, h\u00e1 oito ternos de mo\u00e7ambiques e tr\u00eas catup\u00e9s.<\/p>\n<p>Para comandar a todos, os ternos t\u00eam seus capit\u00e3es e estes podem ser identificados por meio de um bast\u00e3o, que \u00e9 utilizado apenas por capit\u00e3es ou comandantes de irmandades, como \u00e9 o caso do pesquisador Brasileiro.<\/p>\n<div>Cores, elementos e significados<\/div>\n<p>O desfile da Festa do Congado \u00e9 marcado por costumes e atividades pr\u00f3prias, a principal delas \u00e9 o levantamento de mastro. Jeremias Brasileiro contou que essa tradi\u00e7\u00e3o faz refer\u00eancia \u00e0 \u00e9poca em que os escravos se seguravam aos mastros de navios para se salvarem, tal qual o mastro quando \u00e9 colocado no ch\u00e3o, ato que tamb\u00e9m mitifica estes tempos.<\/p>\n<p>Outra afigura\u00e7\u00e3o do congo \u00e9 a dan\u00e7a de tran\u00e7a de fitas como lembran\u00e7a de constru\u00e7\u00e3o de cabanas em algumas regi\u00f5es de Minas, para outros representa a travessia mar\u00edtima de escravos e, para outras pessoas, pode representar tamb\u00e9m a unidade familiar, antes e ap\u00f3s a escravid\u00e3o.<\/p>\n<div>Ainda de acordo com Jeremias Brasileiro, as bandeiras representam cada terno e firmam a identidade do grupo. \u201cA maneira de voc\u00ea celebrar a vit\u00f3ria em uma guerra \u00e9 com a tomada da bandeira dos derrotados. Na festa, ela fundamenta a representatividade de todos os ternos. Eu, como comandante geral, n\u00e3o tem como ir l\u00e1 e abra\u00e7ar todo mundo, ent\u00e3o eu beijo a bandeira como forma de receber a todos\u201d, disse.<\/div>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao vestu\u00e1rio, os ternos de congado t\u00eam determinado tipo de cores, sejam elas por liga\u00e7\u00f5es por santos devocionais, por empatia e beleza ou por estarem associadas \u00e0 religiosidade afro-brasileira. Algumas dessas cores s\u00e3o:<\/p>\n<p>Rosa: representa o sens\u00edvel e a humildade.<br \/>\nRoxo: uma homenagem a S\u00e3o Benedito, resultante de coragem contra adversidades.<br \/>\nAzul-piscina: simboliza a alegria dos marinheiros aos resgatar Santa Ifig\u00eania no fundo do mar.<br \/>\nVerde-piscina: traduz a felicidade dos marinheiros ao buscar Santa Ifig\u00eania no mar de \u00e1guas l\u00edmpidas.<br \/>\nAmarelo: espanta o mau olhado, traz riqueza e bem-estar.<br \/>\nVerde: reflete a esperan\u00e7a de que as crian\u00e7as, os adolescentes e os jovens adultos possam continuar com os rituais do congado.<\/p>\n<p><em>Fonte: G1<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma pluralidade de cores, cantos, instrumentos e elementos culturais utilizados com o intuito de preservar a hist\u00f3ria. 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