{"id":874,"date":"2012-11-05T05:00:15","date_gmt":"2012-11-05T05:00:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.encontrauberlandia.com.br\/noticias\/?p=874"},"modified":"2013-08-19T12:40:03","modified_gmt":"2013-08-19T12:40:03","slug":"ha-35-anos-milton-santos-fotografa-as-historias-de-uberlandia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.encontrauberlandia.com.br\/noticias\/ha-35-anos-milton-santos-fotografa-as-historias-de-uberlandia\/","title":{"rendered":"H\u00e1 35 anos, Milton Santos fotografa as hist\u00f3rias de Uberl\u00e2ndia"},"content":{"rendered":"<p>Com um sorriso sempre estampado, o fot\u00f3grafo Milton Francisco dos Santos, de 59 anos, abre seu \u00e1lbum de recorda\u00e7\u00f5es e resgata da mem\u00f3ria alguns momentos buc\u00f3licos e hist\u00f3ricos da cidade e da Universidade Federal de Uberl\u00e2ndia (UFU), sua segunda casa, onde trabalha h\u00e1 35 anos.<\/p>\n<p>Ele ingressou como funcion\u00e1rio da universidade, com 24 anos, quando no campus Santa M\u00f4nica existia apenas \u201cuns oito pr\u00e9dios\u201d. \u201cTinha o \u2018Mineir\u00e3o\u2019 que foi o primeiro da UFU e o povo conhecia como \u2018pr\u00e9dio dos padres\u2019\u201d, disse.<\/p>\n<p>Nessa \u00e9poca, ele fotografava conte\u00fados dos\u00a0livros que seriam transformados em slides para as aulas. \u201cEu fazia uma m\u00e9dia de 1,5 mil slides por m\u00eas.\u201d Durante os 20 anos que a universidade usou esse sistema, ele produziu cerca de 360 mil unidades.<\/p>\n<p>O campus Santa M\u00f4nica era conhecido como \u201cEngenharia\u201d, por causa do curso de Engenharia Civil, e, ao longo dos anos, o que mais marcou Milton Santos foi a mudan\u00e7a f\u00edsica, do plantio das primeiras \u00e1rvores a cada novo pr\u00e9dio constru\u00eddo. \u201cFoi muito bonita a evolu\u00e7\u00e3o. Hoje, o campus Santa Monica \u00e9 uma cidade.\u201d<\/p>\n<p>Milton Santos tamb\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel pelo registro fotogr\u00e1fico de todos os eventos da universidade, de casos tristes que acontecem no Hospital de Cl\u00ednicas \u00e0s pesquisas feitas em Uberl\u00e2ndia e fora da cidade. \u201cTemos um acervo de 153 mil fotos, com toda a hist\u00f3ria da universidade\u201d, disse.<\/p>\n<p>A UFU tornou-se a segunda casa do fot\u00f3grafo gra\u00e7as ao professor Jos\u00e9 de Paula de Carvalho, primeiro reitor da institui\u00e7\u00e3o, que o levou para trabalhar com fotografias, mesmo sem ele conhecer nada sobre fotografia. Hoje, \u00e9 o respons\u00e1vel pelo laborat\u00f3rio e todo trabalho fotogr\u00e1fico da universidade.<\/p>\n<p>\u201cSou muito feliz. O professor [Jos\u00e9 de Paula] acertou. Tenho amizade com todos, vi passar todos os reitores, conhe\u00e7o os professores, t\u00e9cnicos, pessoal da limpeza e todo mundo me conhece. O que eu mais gosto \u00e9 de ajudar a escrever sua hist\u00f3ria por meio de imagens\u201d, disse.<\/p>\n<p>Inf\u00e2ncia<\/p>\n<p>Quando veio de Nova Ponte (MG) para Uberl\u00e2ndia, Milton Santos estava com 9 anos. De parte da inf\u00e2ncia vivida no bairro Tibery, zona leste, um dos momentos de que ele mais tem saudade \u00e9 de quando ajudava os carroceiros a despejar palha de arroz no Ribeir\u00e3o S\u00e3o Pedro (avenida Rondon Pacheco).<\/p>\n<p>Era in\u00edcio dos anos 60 e no local havia uma ponte de madeira, hoje cruzamento das avenidas Jo\u00e3o Naves de \u00c1vila e Rondon Pacheco. \u201cAli, pra cima da Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica, era tudo m\u00e1quina de arroz e os carroceiros paravam na ponte para descarregar.\u201d<\/p>\n<p>Nessa \u00e9poca, o acesso entre os bairros Tibery e Oper\u00e1rio (hoje Aparecida) era feito por meio do Primeirinho e do Segundinho, duas barragens de concreto que represavam \u00e1gua do Ribeir\u00e3o S\u00e3o Pedro. O Primeirinho ficava na altura da rua Ant\u00f4nio Cresc\u00eancio e o Segundinho, da rua Natal. Ali formavam po\u00e7os onde a crian\u00e7ada brincava, a maioria, escondida dos pais.<\/p>\n<p>A m\u00e3e dele n\u00e3o gostava que nadasse nos po\u00e7os e se percebesse a desobedi\u00eancia o castigo era certo. \u201cEla olhava o cabelo, passava a m\u00e3o na pele e, se desse um risco branco, era uma surra de vara. No outro dia, a gente fazia tudo de novo e era a mesma coisa.\u201d<\/p>\n<p>Cinema ao meio-dia<\/p>\n<p>Aos 13 anos, Milton Santos gostava dos seriados exibidos no cinema anexo ao Santu\u00e1rio Nossa Senhora Aparecida. \u201cA gente ia \u00e0 missa, depois ao catecismo e depois para o cinema. Era bom demais.\u201d A sess\u00e3o come\u00e7ava ao meio-dia.<\/p>\n<p>No in\u00edcio da d\u00e9cada de 70 ele estava com 17 anos e n\u00e3o perdia o footing da pra\u00e7a Nossa Senhora Aparecida. \u201cNo meio da pra\u00e7a tinha um coreto com uma fonte e a gente ficava ali, em volta da fonte, e as meninas rodando. Tocava m\u00fasicas do Roberto Carlos.\u201d Dali ia para o cinema no Cine Vera Cruz (hoje Teatro Grande Otelo) ou no Cine Uberl\u00e2ndia (perto da pra\u00e7a Tubal Vilela).<\/p>\n<p>Aos 23 anos Milton Santos se casou. Tem tr\u00eas filhos e um neto.<\/p>\n<p>Enchente<\/p>\n<p>O fot\u00f3grafo Milton Santos tamb\u00e9m n\u00e3o se esquece da enchente de 1986, que destruiu a avenida Rondon Pacheco. Ele estava l\u00e1, fotografando. Tampas de bueiros foram levantadas a mais de um metro de altura pela for\u00e7a da \u00e1gua; arm\u00e1rios, geladeiras, colch\u00f5es, mesas e at\u00e9 m\u00e1quina de costura que foram retidos pelo alambrado que cercava o Praia Clube, casas das quais s\u00f3 restaram o alicerce, entre outras imagens da destrui\u00e7\u00e3o, fazem parte do acervo fotogr\u00e1fico da universidade capturadas pelo fot\u00f3grafo.<\/p>\n<p>\u201cEra um rio, muita \u00e1gua que ia levando tudo. A gente ouvia pelo r\u00e1dio para n\u00e3o passar pela Rondon. Foi a chuva mais forte que eu j\u00e1 vi aqui.\u201d<\/p>\n<p><em>Fonte: Correio de Uberl\u00e2ndia<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com um sorriso sempre estampado, o fot\u00f3grafo Milton Francisco dos Santos, de 59 anos, abre seu \u00e1lbum de recorda\u00e7\u00f5es e resgata da mem\u00f3ria alguns momentos buc\u00f3licos e hist\u00f3ricos da cidade e da Universidade Federal de Uberl\u00e2ndia (UFU), sua segunda casa, onde trabalha h\u00e1 35 anos. 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