Quase 20 por cento das famílias em Uberlândia com filhos contam com enteados
quinta-feira, 25 de outubro de 2012Quase um quinto dos lares habitados por famílias em Uberlândia conta com a presença de filhos de relacionamentos anteriores do casal, segundo dados atualizados do Censo 2010 levantados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a pedido do CORREIO de Uberlândia. São 16 mil casais, 18,2% dos 88.233 com filhos verificados na cidade, que têm enteados. É a primeira vez que o índice foi mensurado em uma pesquisa censitária do órgão e ele se assemelhou ao verificado nacionalmente.
No Brasil, 16,3% (4.446.258) do total de 27.423.734 casais levantados contavam com filhos que eram somente de um dos cônjuges. Segundo especialistas, esse panorama é influenciado, sobretudo, pelo aumento dos divórcios – procedimento com maior aceitação social e com trâmites legais menos complexos – e pela crescente autonomia da mulher na sociedade por meio da conquista financeira. Em Uberlândia, por exemplo, a quantidade de divórcios registrados em 2010 cresceu 41,8% em relação a 2009.
Esses fenômenos, segundo o filósofo e especialista em comportamento humano Mário Alves, integram um momento de transformação da sociedade. “Estamos em um momento chamado de pós-modernidade. Quanto mais urbanizados e juntos ficamos, mais nosso comportamento muda. Repensamos nossas condutas nas esferas religiosa, financeira, cultural, entre outras”, disse o filósofo.
Já as consequências psicológicas e sociais que essa mudança comportamental tem causado, resultando também na nova configuração familiar, ainda não podem ser mensuradas, segundo afirmou o psicólogo Wesley Nazareth. “Precisamos de mais pesquisas e estudo sobre o tema. O que é possível dizer é que não dá para acreditar somente no sucesso do conto papai, mamãe e filhinhos juntos e felizes para sempre”, afirmou.
Casal enfrenta desafio e supera obstáculos da união
Há sete anos, a empresária Tatiana Basílio, hoje com 33 anos, tinha um filho de um relacionamento quando, ainda solteira, resolveu se casar com o gráfico Weullar Bruni, com 37 anos na época, viúvo, que também tinha um filho. “Como o meu era uma criança e o dele adolescente, tinha um pouco de ciúmes, mas nada que não superamos. Hoje, o meu tem 15 anos e o dele, 21. Eles se dão bem”, afirmou.
Segundo a empresária, apesar de o casal saber dos problemas que teriam por causa da união, passando a ter enteados, o desafio foi aceito sem pensar muito. Recentemente, o casal teve o primeiro filho juntos. “Se formos deixar de fazer as coisas, vamos deixar de ser felizes. Afinal, o conceito de família tradicional é uma coisa que já não faz sentido”, disse.
Referência é destacada por psicólogo
A tendência de novas configurações familiares apontada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com quase 20% dos casais tendo enteados em Uberlândia, por exemplo, pode gerar famílias emaranhadas. Na psicologia, elas são caracterizadas por integrante, não tendo seu papel social de figura parental bem definido pelo outro.
E essa situação, se ocorrer em famílias fora do modelo tradicional e não tiver as orientações educacionais apropriadas, conforme o psicólogo Wesley Nazareth, pode comprometer o desenvolvimento educacional dos filhos da família. “Não importa se é mãe ou se é madrasta ou se é pai ou padrasto. As crianças não podem é ficar sem as referências em casa”, afirmou.
Fonte: Correio de Uberlândia


