Há 35 anos, Milton Santos fotografa as histórias de Uberlândia
segunda-feira, 5 de novembro de 2012Com um sorriso sempre estampado, o fotógrafo Milton Francisco dos Santos, de 59 anos, abre seu álbum de recordações e resgata da memória alguns momentos bucólicos e históricos da cidade e da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), sua segunda casa, onde trabalha há 35 anos.
Ele ingressou como funcionário da universidade, com 24 anos, quando no campus Santa Mônica existia apenas “uns oito prédios”. “Tinha o ‘Mineirão’ que foi o primeiro da UFU e o povo conhecia como ‘prédio dos padres’”, disse.
Nessa época, ele fotografava conteúdos dos livros que seriam transformados em slides para as aulas. “Eu fazia uma média de 1,5 mil slides por mês.” Durante os 20 anos que a universidade usou esse sistema, ele produziu cerca de 360 mil unidades.
O campus Santa Mônica era conhecido como “Engenharia”, por causa do curso de Engenharia Civil, e, ao longo dos anos, o que mais marcou Milton Santos foi a mudança física, do plantio das primeiras árvores a cada novo prédio construído. “Foi muito bonita a evolução. Hoje, o campus Santa Monica é uma cidade.”
Milton Santos também é responsável pelo registro fotográfico de todos os eventos da universidade, de casos tristes que acontecem no Hospital de Clínicas às pesquisas feitas em Uberlândia e fora da cidade. “Temos um acervo de 153 mil fotos, com toda a história da universidade”, disse.
A UFU tornou-se a segunda casa do fotógrafo graças ao professor José de Paula de Carvalho, primeiro reitor da instituição, que o levou para trabalhar com fotografias, mesmo sem ele conhecer nada sobre fotografia. Hoje, é o responsável pelo laboratório e todo trabalho fotográfico da universidade.
“Sou muito feliz. O professor [José de Paula] acertou. Tenho amizade com todos, vi passar todos os reitores, conheço os professores, técnicos, pessoal da limpeza e todo mundo me conhece. O que eu mais gosto é de ajudar a escrever sua história por meio de imagens”, disse.
Infância
Quando veio de Nova Ponte (MG) para Uberlândia, Milton Santos estava com 9 anos. De parte da infância vivida no bairro Tibery, zona leste, um dos momentos de que ele mais tem saudade é de quando ajudava os carroceiros a despejar palha de arroz no Ribeirão São Pedro (avenida Rondon Pacheco).
Era início dos anos 60 e no local havia uma ponte de madeira, hoje cruzamento das avenidas João Naves de Ávila e Rondon Pacheco. “Ali, pra cima da Educação Física, era tudo máquina de arroz e os carroceiros paravam na ponte para descarregar.”
Nessa época, o acesso entre os bairros Tibery e Operário (hoje Aparecida) era feito por meio do Primeirinho e do Segundinho, duas barragens de concreto que represavam água do Ribeirão São Pedro. O Primeirinho ficava na altura da rua Antônio Crescêncio e o Segundinho, da rua Natal. Ali formavam poços onde a criançada brincava, a maioria, escondida dos pais.
A mãe dele não gostava que nadasse nos poços e se percebesse a desobediência o castigo era certo. “Ela olhava o cabelo, passava a mão na pele e, se desse um risco branco, era uma surra de vara. No outro dia, a gente fazia tudo de novo e era a mesma coisa.”
Cinema ao meio-dia
Aos 13 anos, Milton Santos gostava dos seriados exibidos no cinema anexo ao Santuário Nossa Senhora Aparecida. “A gente ia à missa, depois ao catecismo e depois para o cinema. Era bom demais.” A sessão começava ao meio-dia.
No início da década de 70 ele estava com 17 anos e não perdia o footing da praça Nossa Senhora Aparecida. “No meio da praça tinha um coreto com uma fonte e a gente ficava ali, em volta da fonte, e as meninas rodando. Tocava músicas do Roberto Carlos.” Dali ia para o cinema no Cine Vera Cruz (hoje Teatro Grande Otelo) ou no Cine Uberlândia (perto da praça Tubal Vilela).
Aos 23 anos Milton Santos se casou. Tem três filhos e um neto.
Enchente
O fotógrafo Milton Santos também não se esquece da enchente de 1986, que destruiu a avenida Rondon Pacheco. Ele estava lá, fotografando. Tampas de bueiros foram levantadas a mais de um metro de altura pela força da água; armários, geladeiras, colchões, mesas e até máquina de costura que foram retidos pelo alambrado que cercava o Praia Clube, casas das quais só restaram o alicerce, entre outras imagens da destruição, fazem parte do acervo fotográfico da universidade capturadas pelo fotógrafo.
“Era um rio, muita água que ia levando tudo. A gente ouvia pelo rádio para não passar pela Rondon. Foi a chuva mais forte que eu já vi aqui.”
Fonte: Correio de Uberlândia
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