Famílias que têm mulheres no comando chegam a mais de 37 por cento em Uberlândia
terça-feira, 23 de outubro de 2012O número de famílias chefiadas por mulheres em Uberlândia passou de 26,2% em 2000 para 37,5% em 2010. Em dez anos, o número saltou de 37.817 para 73.613 mulheres que são responsáveis pelo lar, independentemente de terem ou não companheiro, o representa um aumento de 94,6%. Os dados do Censo Demográfico de 2010, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foram divulgados na semana passada. O que aumento acompanha a média nacional, visto que, no país, o índice passou de 22,2% para 37,3%, no mesmo período.
Na pesquisa, segundo a analista do IBGE, Luciene Longo, é considerada responsável pelo lar a pessoa que é referência para a família. “Não é necessariamente aquela que arca com as despesas ou ganha um valor superior aos demais moradores da casa”, disse a analista. Ainda segundo ela, está em andamento um estudo para facilitar esta definição. “É preciso investigar quais critérios os entrevistados utilizam para identificar essa responsabilidade”, afirmou.
Em muitos lares, mesmo com o cônjuge economicamente ativo, a mulher é tida como responsável. É o caso da família de Adalgisa Pereira Lemos Ferreira, 48 anos. Em 1999, ela deixou a função de operadora – desempenhada durante 12 anos em uma fábrica de cigarros de Uberlândia – para cuidar dos filhos, Vinícius, que hoje está com 28 anos, e Amanda, com 17. Em 2005, o marido dela, o empresário Elciomar Ferreira, se mudou para uma cidade do Amapá, no Norte do país, em busca de melhores condições de trabalho. A mudança fez com que Adalgisa Lemos se tornasse a responsável pelo lar.
Com a dona de casa também moram a sobrinha Ana Luisa Lemos, de 20 anos, e a neta Luna, de seis meses. Na rotina da dona de casa, além das tarefas domésticas, estão os cuidados com a neta, a compra de material e as operações financeiras das empresas do marido.
“Ele vem a cada dia 30 dias. Eu fico feliz em poder deixá-lo tranquilo estando longe de casa. Acredito que a versatilidade feminina colabora para a execução de todas as tarefas”, disse.
País consolida mudanças sociais
A maior participação das mulheres como responsáveis pelo lar no Brasil e em Uberlândia é justificada pela historiadora e integrante do Núcleo de Estudo de Gênero e Pesquisa sobre a Mulher (Neguem) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Maria Elizabeth Ribeiro Carneiro, pelas mudanças sociais.
“Décadas atrás, a essência feminina estava condicionada ao papel de mãe a ao lugar doméstico. Hoje, há uma ampliação dos espaços profissionais ocupados pela mulher, inclusive, em áreas que eram tradicionalmente masculinas”, disse Maria Elizabeth. Segundo ela, na população carente, a responsabilidade das mulheres é ainda maior.
Maternidade
A possibilidade da escolha de não ter filhos ou de tê-los tardiamente é outro fator que favorece o reconhecimento da mulher como profissional. “A sociedade hoje reconhece os diversos papeis ocupados por elas, por isso, dão o título de chefia do lar às mulheres”, afirmou a historiadora, que ainda faz um contraponto. “Em função dessa responsabilidade, a mulher está sobrecarregada de atividades, pois não há um compartilhamento igualitário com o marido das funções domésticas ou da educação dos filhos”, disse Maria Elizabeth Carneiro.
Empresária comemora conquistas
A referência como responsável pelo lar também está agregada à empresária Maria José Matos Rezende, de 48 anos. Casada e mãe de três filhas, há dez anos ela divide a rotina diária com as tarefas da casa, cuidados com a mãe e operações financeiras relacionadas à empresa do marido, Jango Tomás de Resende, de 54 anos. “Conquistei este espaço aos poucos, quando o Jango começou a diversificar os negócios. Hoje, ele sabe que pode contar comigo para o que for necessário”, disse Maria José.
A diversidade de tarefas, apesar de tornar o dia curto diante de tantas funções, não faz com que a empresária queira desistir da responsabilidade. “Acredito que não conseguiria ficar somente em casa. A vida moderna pede esse dinamismo da mulher. Costumo dizer que ele é o chefe, mas pode viajar tranquilo para cuidar dos negócios tendo eu na retaguarda.”
Fonte: Correio de Uberlândia
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