Uberlândia: Produtores rurais mais novos ganham espaço no agronegócio nacional
quarta-feira, 15 de agosto de 2012Uma transição em curso no agronegócio nacional vai modificar, nos próximos dez anos, a forma de administrar as propriedades rurais e até mesmo a faixa etária dos fazendeiros brasileiros, que serão mais novos. A projeção faz parte de um estudo do engenheiro agrônomo e especialista em planejamento estratégico, Nilson Gamba Júnior, baseado no último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mostra a ida de pessoas mais jovens para o campo.
Segundo Nilson Gamba, o produtor rural “faz tudo”, cujo perfil é caracterizado pelo fazendeiro que acorda antes do nascer do sol e está sempre presente na sua propriedade, vai ficar em segundo plano e o proprietário voltado somente à administração da produção ganhará espaço. Este novo perfil de agropecuarista, com idade entre 20 e 45 anos, de acordo com o engenheiro agrônomo, prefere terceirizar os serviços ligados à produção. Chamado de investidor rural, ele já existe em países como Estados Unidos e Austrália e tem começado a aparecer nos últimos anos no Brasil, primeiro em fazendas do Mato Grosso (MT) e depois no estado de Minas Gerais.
Atualmente, 80% dos produtores nacionais têm entre 45 e 70 anos, 12% têm de 20 a 35 anos e 8% estão na faixa entre 35 e 45 anos (são 20% com idade entre 20 e 45 anos). Segundo Nilson Gamba, a distribuição dos fazendeiros conforme a idade é parecida em Uberlândia. Ainda de acordo com o especialista, seu estudo indica que haverá uma inversão desse quadro até 2022, quando a geração de produtores com idades entre 20 e 35 anos será responsável por 50% da produção nacional. Pessoas entre 25 e 45 anos representarão cerca 65% dos produtores.
“Esses jovens produtores têm formação universitária em Agronomia e Administração de Empresas e estão mais ligados à qualidade dos serviços, do que às relações interpessoais que, muitas vezes, eram importantes para seus pais e avós”, afirmou Gamba.
Jovem administra propriedade em Monte Carmelo
Pedro Fernandes Feliciano, de 23 anos, é um exemplo da transição que começou a ocorrer nos últimos anos na administração do agronegócio brasileiro. Produtor rural em Monte Carmelo (MG), há cinco anos Pedro Fernandes está à frente dos negócios rurais da família que são baseados na produção leiteira e em 60 cabeças de gado.
O jovem produtor rural disse que, neste ano, conseguiu certificação do governo de Minas para o queijo artesanal produzido na fazenda e implantou o serviço de inseminação artificial para melhorar a qualidade genética de seu rebanho. “Todos esses processos representam melhorias em relação à gestão feita pelos meus parentes que administravam antes, pois a economia e o agronegócio exigem essa inovação”, disse Pedro Feliciano.
O produtor também afirmou que há uma série de exigências burocráticas por parte do governo, como apresentar comprovação de renda e o tamanho da propriedade, que impedem a participação de mais jovens à frente das propriedades rurais.
Primos assumem negócios da família em Uberlândia
Em Uberlândia e no interior do estado de Goiás, os primos Lucas Knychala Passos e Matheus Knychala Biasi, ambos de 21 anos, também assumiram, há pouco tempo, o comando dos negócios rurais da família.
Aos 17 anos, Lucas e Matheus tornaram-se responsáveis, entre outras tarefas, pela produção de leite e de carne a partir da criação de mais de 120 cabeças de gado.
“Fomos bem encaminhados e instruídos pelos nossos pais e avós para assumirmos as propriedades. A instrução acadêmica é importante na administração, mas também é fundamental o conhecimento prático adquirido com a família”, afirmou Lucas Knychala.
Segundo o engenheiro agrônomo e especialista em planejamento estratégico, Nilson Gamba Júnior, que fez um estudo que projeta para os próximos dez anos o rejuvenescimento dos fazendeiros brasileiros, os jovens agropecuaristas saberão delegar, planejar e ganhar tempo na futura produção.
Fonte: Correio de Uberlândia


